Mas nada tão marcante quanto a insatisfação com Ronaldinho Gaúcho. Já no primeiro tempo, quando o Flamengo teve a chance de cobrar uma falta da entrada da grande área, os torcedores gritaram o nome de Bottinelli. O argentino sequer ficou perto da bola, e o camisa 10 por pouco não marcou.
Nos primeiros 45 minutos, o Rubro-Negro jogou com três zagueiros: Welinton, Marcos González e David Braz. O esquema havia funcionado bem no coletivo de terça-feira, mas o desempenho do treino não se repetiu na partida. R10 passou a maior parte da etapa inicial do lado esquerdo do ataque e buscou jogadas com Botti e Love. No entanto, faltava a ligação do meio com os homens de frente. Havia um buraco na equipe, que errou muitos passes e teve dificuldades para invadir a área adversária na base do toque de bola.
Na volta do intervalo, o gol de Vagner Love, aos três minutos, após tabela com o camisa 10, deu a impressão de que os ânimos ficariam sossegados. Em noite ruim, de pouca inspiração e muitos erros, o time não conseguiu conquistar o torcedor. Ronaldinho voltou a ser alvo após tentar um passe de ombro para Deivid dentro da área. Não deu certo. A partir daí, o astro da companhia passou a ser vaiado a cada toque na bola. E também ouviu ofensas.
- Ei, Ronaldinho, vai...
As vaias não são novidade para Ronaldinho no Flamengo. Na temporada passada, ele foi muito criticado, por exemplo, na derrota por 2 a 1 para o Ceará, no Engenhão, pelas quartas de final da Copa do Brasil. Mas jamais da forma como se viu nesta quinta.
Em um determinado momento, o estádio se dividiu. Gritos de “Ah, é Ronaldinho!” também foram ouvidos. No campo, o jogador, que já teve atuações piores, sentiu que precisava mostrar mais empenho, deu um bom passe para Deivid e um carrinho para marcar a saída de bola adversária. Parte do público voltou atrás e passou a incentivar.
- Independentemente de qualquer coisa, o resultado veio. Isso é o que mais importa para o Flamengo. Vamos torcer para não sofrermos com mais nenhuma lesão e trabalhar para vencermos nossos próximos jogos. As críticas não me incomodam. Me dão motivação para trabalhar mais e me reerguer – disse.
- Eu perdi um lateral-direito e coloquei um ponta. Mas não foi por acaso. Neguebinha só não fez o gol porque não teve sorte. Ele ia fazer o gol, ia ficar muito feliz. Nós erramos umas cinco bolas para botar ele no mano a mano com o lateral e ir embora. Ele ia fazer o gol ali. Era só ficar acompanhando. Na hora que pegasse na rapidez, ia dar certo. Infelizmente ele não conseguiu – analisou o técnico.
Nos últimos minutos, o volante Muralha, que apresentou um bom desempenho, teve o nome gritado pela torcida. Após o apito final, Joel novamente foi vaiado e xingado.
- Ei, Joel, vai...
O Flamengo chega a quatro pontos na chave, ultrapassa o Emelec na tabela, assume a primeira posição, mas vai ter de reconquistar terreno no coração dos rubro-negros. O time volta a jogar pela Libertadores na próxima quinta-feira, contra o Olimpia, do Paraguai, no Rio. O confronto será às 19h30m (de Brasília). Neste domingo, a equipe entra em campo para enfrentar o Fluminense, pela terceira rodada da Taça Rio, às 18h30m.
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