
não há quem não tenha feito besteira.
Primeiro, faz tempo que Felipe tem sido
muito melhor em criar quizumba que jogadas em campo. Ter o merecido
status de ídolo não lhe dá o direito de falar o que quiser, ignorando a
hierarquia interna do clube. Desrespeitar os poderes do clube,
independente da competência/experiência de quem está no cargo, é o mesmo
que desrespeitar a instituição.
E com 35 anos nas costas, Felipe não tem nada bobo. Sabia muito bem que suas declarações
cairiam como uma bomba e que fariam a festa da imprensa, sempre ávida
pela nova crise na Colina. Assim como também sabia muito bem que,
naquele momento, teria o total apoio da torcida, que também não aguenta
mais a incompetência da diretoria. Ao fazer o que fez, Felipe só podia
esperar duas coisas: desmoralizar a diretoria ou ser demitido. A
primeira não faria a menor diferença, já que não se desmoraliza o que
não tem moral. Já a segunda era a única forma de abandonar o barco sem
queimar o filme com a torcida. Agora, os vilões são os que demitiram o
craque e ídolo do Vasco e o mocinho é tirado do seu clube do coração por
ter falado a verdade.
Se o mocinho é mesmo o herói desse enredo já é outra história. E a história que andam contando por aí é bem outra.
***
Num primeiro momento, Renê Simões não acusou o golpe, não se importou com as críticas do Felipe e até elogiou a sua postura.
Dois dias depois, muda sua atitude, mostra toda a sua revolta e afasta o
jogador. Nisso, já mostrou uma certa incoerência. Mas o pior é que,
aparentemente, a decisão foi tomada de forma solitária. O treinador não
foi sequer entrevistado a respeito. Ricardo Gomes disse que não sabia. Mesmo com Renê tendo afirmado que informou o presidente, Roberto Dinamite disse que quem decide quem sai ou fica no time é ele.
A questão é que, tenha sido demitido ou
simplesmente afastado, Renê Simões quis mostrar pulso e tomou uma medida
ousada. Ao jogar na imprensa a decisão e não tendo o respaldo imediato
de outras pessoas que deveriam referendar essa posição, Simões acaba
tomando para si toda a responsabilidade pelo afastamento e/ou demissão
do Felipe. Se o time que ele está montando tiver um bom desempenho,
ótimo, ele terá provado que estava certo. Caso contrário, ele será
lembrado como o diretor que demitiu um ídolo e não trouxe nenhum jogador
que fizesse a diferença.
Nesse episódio, me parece que faltou um
pouco de experiência ao Renê. Se a história de que Felipe estaria
insatisfeito e procurava outro clube é verdadeira, talvez fosse melhor
esperar. A proposta de redução salarial que seria feita ao camisa 6
inverteria o lado da pressão. Com o anúncio do afastamento, Renê Simões
desperdiçou a chance de fazer com que o Felipe tivesse que mostrar seu
amor ao Vasco, aceitando ganhar menos e relegou à diretoria o papel de
vilã.
***
Já o Dinamite é aquilo…o fato dele ser
presidente já o coloca como parcialmente culpado de qualquer problema
que aconteça no clube. Do pagamento dos salários atrasados para apenas
parte do elenco até o desconhecimento do que teria falado ou não um dos
seus diretores sobre uma situação importantíssima para o clube, Dinamite
mais uma vez mostrou não está a par do que acontece à sua volta.
Um bom presidente deveria saber que uma
entrevista como a dada pelo Felipe precisaria de uma resposta da
diretoria. Ele, o mandatário do clube – ou como o próprio diz, “quem decide”
– deveria ter conversado com todos os envolvidos e resolver a situação
antes que ela chegasse à imprensa. Felipe falou com os jornais na
quarta, na sexta Renê Simões afasta o jogador e dois dias depois do
início da crise, o que diz o Presidente do Vasco? “A gente não é burro de falar que o Felipe está fora do Vasco. Quem falou isso?“
Dinamite poderia ter evitado tudo isso e
não o fez. Deixou que a situação entre um jogador importante para o
elenco e um diretor ficasse insustentável e ainda tirou, ainda que não
intencionalmente, a autoridade do Renê sobre o caso. Ou seja: quando
deveria ter feito algo, não fez. E quando resolveu fazer, era melhor não
ter feito.
***
Mudando de um ídolo que pode sair para um que já saiu: se esse lance de “temer que um rebaixamento manchasse sua história no Vasco”
é séria, o motivo real da não renovação do Juninho seria apenas um:
orgulho. Isso não é demérito algum para ele, não diminui em nada sua
importância para o clube e não é motivo para críticas ao profissional.
Mas mesmo que, na sua visão, ter ido embora tenha sido benéfico para o
clube, pensar antes no que um rebaixamento traria à SUA história e não à
história do VASCO não é comportamento que se espere de um ídolo.