quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Todos estão Errados

 
não há quem não tenha feito besteira.
Primeiro, faz tempo que Felipe tem sido muito melhor em criar quizumba que jogadas em campo. Ter o merecido status de ídolo não lhe dá o direito de falar o que quiser, ignorando a hierarquia interna do clube. Desrespeitar os poderes do clube, independente da competência/experiência de quem está no cargo, é o mesmo que desrespeitar a instituição.
E com 35 anos nas costas, Felipe não tem nada bobo. Sabia muito bem que suas declarações cairiam como uma bomba e que fariam a festa da imprensa, sempre ávida pela nova crise na Colina. Assim como também sabia muito bem que, naquele momento, teria o total apoio da torcida, que também não aguenta mais a incompetência da diretoria. Ao fazer o que fez, Felipe só podia esperar duas coisas: desmoralizar a diretoria ou ser demitido. A primeira não faria a menor diferença, já que não se desmoraliza o que não tem moral. Já a segunda era a única forma de abandonar o barco sem queimar o filme com a torcida. Agora, os vilões são os que demitiram o craque e ídolo do Vasco e o mocinho é tirado do seu clube do coração por ter falado a verdade.
Se o mocinho é mesmo o herói desse enredo já é outra história. E a história que andam contando por aí é bem outra.
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Num primeiro momento, Renê Simões não acusou o golpe, não se importou com as críticas do Felipe e até elogiou a sua postura. Dois dias depois, muda sua atitude, mostra toda a sua revolta e afasta o jogador. Nisso, já mostrou uma certa incoerência. Mas o pior é que, aparentemente, a decisão foi tomada de forma solitária. O treinador não foi sequer entrevistado a respeito. Ricardo Gomes disse que não sabia. Mesmo com Renê tendo afirmado que informou o presidente, Roberto Dinamite disse que quem decide quem sai ou fica no time é ele.
A questão é que, tenha sido demitido ou simplesmente afastado, Renê Simões quis mostrar pulso e tomou uma medida ousada. Ao jogar na imprensa a decisão e não tendo o respaldo imediato de outras pessoas que deveriam referendar essa posição, Simões acaba tomando para si toda a responsabilidade pelo afastamento e/ou demissão do Felipe. Se o time que ele está montando tiver um bom desempenho, ótimo, ele terá provado que estava certo. Caso contrário, ele será lembrado como o diretor que demitiu um ídolo e não trouxe nenhum jogador que fizesse a diferença.
Nesse episódio, me parece que faltou um pouco de experiência ao Renê. Se a história de que Felipe estaria insatisfeito e procurava outro clube é verdadeira, talvez fosse melhor esperar. A proposta de redução salarial que seria feita ao camisa 6 inverteria o lado da pressão. Com o anúncio do afastamento, Renê Simões desperdiçou a chance de fazer com que o Felipe tivesse que mostrar seu amor ao Vasco, aceitando ganhar menos e relegou à diretoria o papel de vilã.
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Já o Dinamite é aquilo…o fato dele ser presidente já o coloca como parcialmente culpado de qualquer problema que aconteça no clube. Do pagamento dos salários atrasados para apenas parte do elenco até o desconhecimento do que teria falado ou não um dos seus diretores sobre uma situação importantíssima para o clube, Dinamite mais uma vez mostrou não está a par do que acontece à sua volta.
Um bom presidente deveria saber que uma entrevista como a dada pelo Felipe precisaria de uma resposta da diretoria. Ele, o mandatário do clube – ou como o próprio diz, “quem decide” – deveria ter conversado com todos os envolvidos e resolver a situação antes que ela chegasse à imprensa. Felipe falou com os jornais na quarta, na sexta Renê Simões afasta o jogador e dois dias depois do início da crise, o que diz o Presidente do Vasco? “A gente não é burro de falar que o Felipe está fora do Vasco. Quem falou isso?
Dinamite poderia ter evitado tudo isso e não o fez. Deixou que a situação entre um jogador importante para o elenco e um diretor ficasse insustentável e ainda tirou, ainda que não intencionalmente, a autoridade do Renê sobre o caso. Ou seja: quando deveria ter feito algo, não fez. E quando resolveu fazer, era melhor não ter feito.
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Mudando de um ídolo que pode sair para um que já saiu: se esse lance de “temer que um rebaixamento manchasse sua história no Vasco” é séria, o motivo real da não renovação do Juninho seria apenas um: orgulho. Isso não é demérito algum para ele, não diminui em nada sua importância para o clube e não é motivo para críticas ao profissional. Mas mesmo que, na sua visão, ter ido embora tenha sido benéfico para o clube, pensar antes no que um rebaixamento traria à SUA história e não à história do VASCO não é comportamento que se espere de um ídolo.

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