O Cruzeiro havia vencido uma, havia vencido duas seguidas,
havia vencido três consecutivas. Para completar o desenho de uma
daquelas arrancadas tão típicas de Celso Roth, faltava bater a carteira
do líder, roubar o lugar dele. Pois aconteceu neste sábado. A ponta da
tabela do Campeonato Brasileiro tem novo dono depois de a Raposa superar o Vasco por 3 a 1 em São Januário.
Com isso, o treinador celeste, ainda em início de
trabalho na Toca da Raposa, repete aquilo que havia feito com clubes
como Atlético-MG e Grêmio, levando equipes em mau momento para a
liderança da competição - que, nos casos anteriores, não foi mantida. Já
o Vasco, depois de largada impecável, convive com a segunda rodada
seguida sem vitória.
Os gols do Cruzeiro foram marcados por Montillo, Wellington
Paulista e Anselmo Ramon. Rodolfo descontou para os cariocas. A Raposa,
com a vitória, foi a 14 pontos na competição, um a mais do que o Vasco,
agora vice-líder. Na próxima rodada, os mineiros recebem o São Paulo no
sábado, e os cruzmaltinos visitam a Ponte Preta no mesmo dia.
Rômulo, Nilton, Fellipe Bastos. Leandro Guerreiro, Willian
Magrão, Charles. As formações das duas equipes no meio-campo, com um
congestionamento de atletas mais propensos à marcação do que à criação,
pareciam avisar que seria uma partida truncada, daquelas de espaço
reduzido e tempo de ação encurtado – daquelas que dependem mais de erros
do que de acertos para ter seu placar movimentado.
Era um duelo de líderes, e os treinadores preferiram ser
cuidadosos. Não por acaso, levou uma eternidade para que o primeiro
tempo começasse a oferecer chances de gol de lado a lado. O Cruzeiro
centralizava suas jogadas em Montillo, o desafogo para Fabinho e
Wellington Paulista. O Vasco tentava escapulir com Eder Luis, sempre
arisco pelos lados do campo. Mas os sistemas defensivos levavam a
melhor.
Como consequência, chutes de longe viraram alternativa – mas sem sucesso.
Chance viva, daquelas com pinta de gol, só foi nascer aos 35 minutos.
Eder Luis disparou pela ponta esquerda e serviu bem para Alecsandro. O
centroavante tinha duas possibilidades: fazer a jogada por conta própria
ou abrir na direita, onde aparecia Diego Souza. Preferiu a primeira, e
se deu mal. Foi desarmado.
Pouco depois, sairia o gol do Cruzeiro, em um lance que
veio à luz graças a um erro do Vasco. Fernando Prass, na reposição de
bola, forçou o passe para Eder Luis. Ele teve que migrar até a linha
lateral para evitar que fosse uma jogada perdida. Conseguiu, mas o que
era ruim ficou pior. Charles roubou, avançou, tabelou com Montillo e
acionou Wellington Paulista. O chute dele, curiosamente, foi barrado por
Fabinho, em posição de impedimento. Mas aí a bola sobrou para Montillo,
que emendou conclusão precisa para colocar a Raposa na frente.
Os minutos finais da primeira metade do jogo
foram de pressão vascaína. Alecsandro chegou um piscar de olhos
atrasado em cruzamento de Felipe. A bola passeou repetidas vezes pela
área celestre, sempre ameaçadora. Mas o Vasco não conseguiu buscar o
empate antes do intervalo.
A desvantagem forçou Cristóvão a deixar sua equipe mais
aguda. O treinador, já no intervalo, tirou Fellipe Bastos, colocou
Thiago Feltri na lateral esquerda e passou Felipe para o meio. A ideia
era deixar o meio-campo mais criativo – Diego Souza não dava conta do
recado por ali. Até melhorou, mas longe de ser o suficiente.
Tanto que outra troca foi realizada quando o segundo tempo ainda
engatinhava, com Carlos Alberto no lugar de Eder Luis. Naquele momento, o
jogo já tinha um novo panorama, bem mais vivo do que na primeira etapa:
Vasco atacando, Cruzeiro ameaçando no contragolpe. Alecsandro, de
cabeça, fez a bola encontrar a trave. Wellington Paulista teve duas
arrancadas (em uma delas, deixou Dedé sentado no chão com um drible
seco) que quase renderam gol. Na terceira, ele fez um golaço.
Foi aos 16 minutos. A Raposa puxou contra-ataque, nenhuma
novidade, arquitetado por Montillo. O argentino viu Wellington aberto
pela direita. Assim que recebeu, o atacante percebeu Fernando Prass
adiantado. E não pensou duas vezes: encaixou a chuteira por baixo da
bola e tocou por cobertura. Lindo gol.
Poderia ter sido uma jogada definitiva para o jogo. Mas Fábio fez
a chama da partida renascer. O goleiro do Cruzeiro saiu todo
atrapalhado depois de cruzamento da esquerda, bateu mal na bola e
permitiu que Rodolfo, de cabeça, descontasse.
O jogo dava sinais de que teria outros gols. E teve.
Quando o Vasco mais sonhava com o empate, o Cruzeiro garantiu a vitória.
E com dois jogadores
colocados em campo no segundo tempo por Roth. Tinga recebeu de Léo na
ponta direita e cruzou para Anselmo Ramon, livre, fechar o placar e
decretar que o Campeonato Brasileiro tem um novo líder.
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