Ele voltou. Com a mesma entrega que o marcou na primeira passagem, no
primeiro semestre de 2010. Com a força física que torna o ataque mais
encorpado. E com gana. Muita. O gol? Este fica guardado para a próxima.
Neste domingo, Vagner Love reestreou pelo Flamengo com boa atuação.
Foram 87 minutos em campo e muito carinho da torcida, que o apoio e o
aplaudiu. Na vitória por 2 a 0 sobre o Nova Iguaçu, no Moacyrzão, em
Macaé, o Artilheiro do Amor não chegou a ser brilhante, mas deixou claro
que com ele a linha de frente ganha qualidade. Deivid e Ronaldinho
sentiram isso. Os três participaram da jogada do primeiro gol, marcado
pelo camisa 9. Renato, de falta, completou.
Com o resultado, o Flamengo chega a 12 pontos e está em terceiro no
Grupo A da Taça Guanabara, fora da zona de classificação para a
semifinal. O Resende lidera com a mesma pontuação, mas com quatro
vitórias. O Botafogo é o segundo, também com 12, três vitórias e dez
gols de saldo. O saldo do Flamengo, também com três vitórias, é de sete.
O Nova Iguaçu é o quinto, com oito pontos, sem chances de avançar.
No próximo sábado, na sétima última rodada da fase classificatória do
primeiro turno, o Flamengo enfrenta o Resende, no estádio Raulino de
Oliveira, em Volta Redonda, às 16h20m. O time do Sul Fluminense vai
jogar por um empate para avançar. O Rubro-Negro tem de vencer. Antes,
porém, a equipe de Joel Santana tem um compromisso pela Libertadores. Na
quarta-feira, estreia no Grupo 2, contra o Lanús, da Argentina, às 22h
(de Brasília), em Buenos Aires.
O Nova Iguaçu também vai jogar no sábado, às 16h20m, contra o Madureira, em Conselheiro Galvão.
Um toque de amor
A vontade de jogar era tanta quer Vagner Love não se conteve. Puxou a
fila na entrada do time em campo e o cumprimento aos torcedores. No
aquecimento, concentração e beijos na direção da Tribuna de Honra para a
noiva Luciele, a mãe Jaira e a irmã Vânia. Do amigo Ronaldinho, o
Artilheiro do Amor recebeu afeto, um caloroso abraço. Da torcida, ouviu
gritos de “Só Love, Só Love”, refrão do funk de Claudinho e Buchecha que
embalou sua apresentação.
Aos três minutos, a primeira arrancada foi parada com falta pelo
adversário. Vagner levantou, pediu bola, correu. Foi assim durante os
primeiros 45 minutos da reestreia dele pelo clube. Ele, Ronaldinho e
Deivid, o novo ataque rubro-negro, não guardaram posição, se
movimentaram bem e buscaram tabelas. R10 passou mais tempo na esquerda,
Deivid na direita, e Love centralizado. Pouco a pouco, Renato, Léo
Moura, Junior Cesar e Luiz Antonio se aproximavam da linha de frente
para dar mais força às investidas. Os erros de passe, no entanto,
atrapalharam.
Para escalar Love, Joel Santanta tirou Bottinelli do time. Nesta nova
formação, Ronaldinho armou mais. Deixou Deivid na cara do gol, aos oito
minutos, com lindo lançamento. O camisa 9 marcou, mas estava muito
impedido. Se com dois foi pouco, com três foi na medida ideal. Cinco
minutos depois, Vagner recebeu bola na direita, escapou do marcador e
tabelou com Ronaldinho. Quando recebeu de volta na área, teve o chute
defendido pelo goleiro Jefferson parcialmente. Na sobra, Deivid, com
calma e cuidado, bateu forte para abrir o placar: 1 a 0. Em seguida,
Daviz Braz quase ampliou em uma cabeçada perigosa.
Senhor do jogo, o Flamengo enxergou no Nova Iguaçu um adversário
acomodado, que limitou-se a marcar e esperar a chance de um
contra-ataque. Um chute de longe de Zambi foi o melhor lance da equipe
do técnico Leonardo Condé, aos 19. Mossoró, Dieguinho, Zambi e Leandrão
não se encontravam lá na frente. Sem criatividade e sem força.
O ritmo rubro-negro caiu, os erros de passe aumentaram, e o time
pareceu administrar o tempo à espera do intervalo. Ainda houve uma boa
chance para cada lado: cobrança de falta perigosa de Amaral, que se
perdeu pela linha de fundo, e chute de longe de Ronaldinho, que
preocupou Jefferson. Na saída de campo, R10 comemorou o primeiro gol da
parceria com Love.
- É um jogador inteligente, facilita muito. Estou feliz. Primeira
tabela, primeiro gol. Espero que seja a primeira de muitas - disse
Ronaldinho, sobre a jogada do gol rubro-negro.
Papai... Renato
Foi um Deus nos acuda. Cada cruzamento de Ronaldinho para a área do
Nova Iguaçu deixava o goleiro Jefferson de cabelos em pé. Nos levantamos
em diagonal e nas cobranças de escanteio, o camisa 10 levou perigo e
deu chances a Welinton, Love e David Braz de marcar. Nenhum deles
aproveitou.
O domínio rubro-negro continuou no segundo tempo. Ronaldinho apareceu
mais, correu, distribuiu dribles e bons passes. Um deles deixou Renato
na cara do gol, aos nove minutos. O meia tocou na saída do goleiro
Jefferson, mas estava impedido. Renato teria uma nova chance. Aos 14,
sofreu falta na entrada da área. Enquanto R10 ajeitava a bola, a torcida
pedia pelo camisa 11. Pedido feito, pedido atendido. Na cobrança forte,
acertou o canto esquerdo para fazer 2 a 0. Na comemoração, colocou a
bola sob a camisa para homenagear a esposa Karina e a filha que está a
caminho. Em março, nasce Renata, a terceira menina do casal.
O Nova Iguaçu também levou perigo. Amaral chutou de longe, e Felipe
defendeu. O goleiro também foi seguro nas saídas de gol. Quando exigido,
correspondeu. Tem sido assim neste início de temporada. Condé mudou o
ataque laranja. Jones entrou na vaga de Leandrão, mas o time pouco
evoluiu. No meio-campo do Flamengo, Luiz Antonio não foi bem. Errou
muitos passes e chegou a ouvir vaias da torcida, que pedia por
Bottinelli. Lá na frente, Vagner Love continou correndo muito, mas foi
discreto. Em alguns momentos pareceu cansado. Joel decidiu deixá-lo mais
tempo em campo. Deivid e Luiz Antonio saíram para as entradas de
Bottinelli e Maldonado.
Love saiu aos 42 da segunda etapa para a entrada de Negueba. Naquele
momento, o Rubro-Negro apenas administrava a vantagem no placar. Não
levou perigo, mas também não correu riscos. Na saída de campo, o Love
foi muito aplaudido. Sinal de que agradou e de que o amor voltou.
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